UM FAZENDEIRO autuado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) por desmatar 1,8 mil hectares de Cerrado — área equivalente a quase 2 mil campos de futebol — no Piauí negociou sua produção de soja com as multinacionais do agronegócio Bunge, Cofco, ADM do Brasil e CHS, mostram documentos analisados pela Repórter Brasil.
A autuação contra o sojicultor Luciano Márcio Curioni foi aplicada em outubro de 2024. Na ocasião, o órgão ambiental determinou também o embargo (interdição) da área afetada, localizada dentro da Fazenda Três Santos, em Uruçuí (PI). A legislação brasileira proíbe a aquisição de produtos com origem em locais que estejam embargados ambientalmente.
Em novembro de 2024, no entanto, após ação movida por Curioni, a Justiça suspendeu o embargo. Uma nova decisão judicial determinou que o embargo voltasse a valer em dezembro de 2025, mas, no mês seguinte, após recurso do produtor, seus efeitos foram novamente suspensos.
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Em setembro e outubro deste ano, duas determinações judiciais revogaram outra vez a suspensão. O embargo, porém, ainda não havia voltado a constar no sistema do órgão ambiental até a publicação desta reportagem. O processo segue em tramitação na Justiça Federal.
À Repórter Brasil, Bunge, Cofco, ADM do Brasil e CHS Agronegócio afirmaram que não negociaram com Curioni nos períodos em que o embargo da Fazenda Três Santos estava vigente ou que não adquiriram grãos produzidos na propriedade.
Já o fazendeiro alega que o Ibama qualificou indevidamente como desmatamento uma conversão em lavoura de pastagem preexistente na fazenda (ver mais detalhes abaixo).
As respostas de Curioni e das empresas podem ser lidas na íntegra aqui.
Vendas de soja
Em julho de 2025, o sojicultor Luciano Márcio Curioni assinou dois contratos de fornecimento com a Bunge, líder mundial em processamento de oleagino
