Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
A Comissão de Direitos Humanos discutiu o assunto
Especialistas e representantes de pacientes defenderam, nesta terça-feira (1º), maior agilidade no diagnóstico e no tratamento da esclerose múltipla no Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, pacientes chegam a esperar anos pela confirmação da doença e meses adicionais para conseguir medicamentos. O tema foi debatido em audiência pública na Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados.
A esclerose múltipla é uma doença autoimune, na qual o sistema de defesa ataca as próprias células do organismo. Os sintomas podem afetar a visão, os sentidos, o equilíbrio e a mobilidade.
O diagnóstico depende de exame clínico, de imagem (principalmente ressonância magnética de crânio e coluna) e de análise do líquor (líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal).
Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Sumaya Afif defendeu a aprovação da proposta que garante a consulta com especialista em até 180 dias
Prazo para atendimento
A representante da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem), Sumaya Afif, defendeu a aprovação do Projeto de Lei 4231/21. A proposta garante a consulta com especialista em até 180 dias a partir da suspeita clínica. Sumaya reforçou que a demora decorre da falta de informação sobre os sintomas e da lentidão para conseguir remédios.
“Hoje, um paciente do SUS leva dois anos e meio para conseguir a confirmação do diagnóstico. Depois disso, espera mais seis meses para receber o medicamento de alto custo e iniciar o tratamento”, afirmou Sumaya.
O neurologista Felipe von Glehn, da Academia Brasileira de Neurologia, destacou que a demora decorre do difícil acesso a especialistas e a exames. Segundo o médico, o paciente passa pela atenção primária e pela secundária antes do encaminhamento ao especialista.
“No sistema público de saúde, o diagnóstico é difícil porque exige um médico experiente na doença. O paciente passa pelos postos e ambulatórios e demora a ser encaminhado a um neurologista”, explicou von Glehn.
Von Glehn acrescentou que o SUS não oferece a pesquisa de bandas oligoclonais. O exame identifica sinais de inflamação no sistema nervoso central e ajuda no diagnóstico precoce da doença.
Bruno Spada / Câmara dos Deputados
CAna Paula Moraes relatou sequelas por conta da identificação tardia
Sequelas invisíveis
A presidente da Associação de Pessoas com Esclerose Múltipla e Doenças Raras do Distrito F
