Mineradoras estrangeiras detêm 4 a cada 10 projetos de terras raras no país

COM A SEGUNDA MAIOR reserva do mundo, o Brasil atrai cada vez mais mineradoras estrangeiras interessadas em explorar terras raras — conjunto de 17 elementos químicos essenciais à transição energética e às indústrias bélica e de tecnologia.

A ANM (Agência Nacional de Mineração) vem registrando recordes nos pedidos de exploração. Dos 2.727 requerimentos apresentados até junho deste ano, 86% foram protocolados de 2023 para cá. Quase metade (42%) pertence a empresas sediadas no exterior — principalmente na Austrália, nos Estados Unidos e no Canadá — ou a subsidiárias delas.

Os achados fazem parte de uma investigação conjunta entre a Repórter Brasil e a agência norte-americana Associated Press. 

A análise também identificou uma onda recente de investimentos norte-americanos no Brasil, sobretudo após a China restringir as exportações de terras raras aos Estados Unidos, em abril de 2025, em resposta às tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. O país asiático domina a cadeia produtiva do minério, incluindo a extração, o processamento e a produção de itens de alta tecnologia, como ímãs. 

O avanço dos EUA inclui financiamentos do DFC (banco de desenvolvimento do governo norte-americano) para diferentes mineradoras, além da aquisição, em abril, da única produtora comercial de terras raras do Brasil, a Serra Verde, por uma empresa dos EUA da qual o governo norte-americano é acionista.

Embora as empresas ligadas ao capital estrangeiro representem apenas 12% dos titulares de requerimentos de terras raras, elas controlam 42% de todos os pedidos. Isso inclui 31 dos 45 processos mais avançados — em operação ou pré-operação comercial. 

A corrida pelas jazidas de terras raras, contudo, pode trazer riscos ambientais. Ao todo, 25% dos requerimentos se sobrepõem a unidades de conservação ou comunidades tradicionais, ou estão a até 10 quilômetros desses territórios. Especialistas afirmam que, mesmo a essa distância, projetos de mineração podem causar danos sociais e ambientais.

Segundo o Observatório da Transição Energética, projeto de jornalismo de dados da Repórter Brasil, do Inesc e do grupo de pesquisa PoEMAS, os requerimentos minerários de terras raras podem afetar até 283 áreas protegidas, entre terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação.

Austrália e EUA lideram pedidos para exploração de terras raras 

De acordo com a análise da Repórter Brasil e da Associated Press, 11 das 20 empre

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