Garimpo chega antes da reforma agrária após decisão da Justiça no Mato Grosso

MÁQUINAS DE GARIMPO ocuparam uma fazenda destinada à reforma agrária em Novo Mundo, norte do Mato Grosso, antes que 74 famílias já selecionadas pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) pudessem tomar posse da área.

As escavadeiras entraram nas terras públicas da União, com aval do governo estadual, durante os cinco meses de prazo concedido pela Justiça para a desocupação do local. Enquanto o garimpo avança, trabalhadores rurais continuam em barracos de lona do lado de fora da propriedade.

Após 16 anos de disputa judicial, o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) decidiu, no ano passado, que 2 mil hectares da Fazenda Cinco Estrelas (quase metade da propriedade) pertencem à União e devem ser destinados à reforma agrária. 

Após o fim do prazo para desocupação da área, a Coogavepe (Cooperativa dos Garimpeiros do Vale do Rio Peixoto) protocolou na Sema (Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso) um pedido de licenciamento ambiental para explorar ouro no local. Três dias após a desembargadora federal Kátia Balbino ampliar o prazo de saída dos ocupantes, o órgão estadual concedeu, de uma só vez, as licenças prévia, de instalação e de operação do empreendimento mineral.

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Em junho, antes da entrega da área ao Incra, vídeos e fotografias obtidos pela Repórter Brasil registraram duas escavadeiras na área da fazenda, ao lado de trechos de solo revolvido, novas cercas e uma porteira. Segundo moradores da região, haveria mais de 50 pessoas trabalhando dia e noite no local, onde uma draga de extração de ouro já estaria em funcionamento, enquanto outras três estariam em montagem. Os relatos foram obtidos pela Repórter Brasil com fontes locais que não serão identificadas, por questões de segurança.

A Cinco Estrelas tem 4,3 mil hectares e integra a Gleba Pública Federal Nhandú, incorporada ao patrimônio da União em 1977. A Justiça Federal re

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