DEPOIS DE PASSAR oito horas atendendo mesas, indo de lá para cá e falando com as mais diversas pessoas, Anderson Santos sai do trabalho exausto. Ele vai para casa encontrar a esposa e a filha, mas sua “bateria social” está esgotada. “Você não quer falar com ninguém”.
O garçom é um dos cerca de 15 milhões de brasileiros com carteira assinada que trabalham na chamada escala 6×1, segundo estimativa do governo federal. “Só tenho quatro folgas ao mês”, diz Anderson, ao comentar o pouco tempo que consegue dedicar à filha.
Aprovada pela Câmara dos Deputados em maio, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 221/2019 prevê o fim da escala 6×1 ao garantir dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial. O texto também propõe reduzir a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais — medida que pode afetar 38 milhões de trabalhadores. Se aprovada, as mudanças devem ocorrer de forma escalonada, em até 14 meses após a promulgação.
ASSINE NOSSA NEWSLETTER
document.addEventListener(“DOMContentLoaded”, function() {
document.querySelectorAll(‘.form-news button[type=”submit”]’).forEach(function(botao) {
botao.classList.add(“envio_newsletter_materia”);
});
});
Submit
Agora, a proposta aguarda ser encaminhada para tramitação no Senado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Enquanto isso, a Repórter Brasil foi ouvir quem será diretamente impactado pelas mudanças: os trabalhadores.
Assim como Anderson, a atendente telemarketing Mariana* trabalha na escala 6×1. Ainda que em um regime menor de horas — a legislação prevê um máximo de 36 horas de trabalho por semana para a função —, faz 15 anos anos que ela sai de casa para trabalhar de segunda a sábado.
“Só tenho quatro folgas ao mês”, diz o garçom Anderson Santos, que se ressente do pouco tempo que tem para ficar com a sua família. (Foto: arquivo pessoal/Anderson Santos)
Mãe solo, Mariana lamenta ter perdido momentos importantes do crescimento da filha, hoje com quatro anos. “O dia a dia vai passando e você vai perdendo pequenos detalhes. No final do ano você fa
