<![CDATA[O avanço das exportações brasileiras esbarra, cada vez mais, em um obstáculo que não está no campo, mas nos portos. Os desafios da infraestrutura logística nacional e seus reflexos na competitividade do País estiveram no centro dos debates na reunião do Conselho do Comércio Atacadista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), em 16 de junho, sob mediação do presidente do conselho, Ronaldo Jamar Taboada.O encontro contou com a apresentação de Eduardo Heron Santos, diretor técnico do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), que, ao tratar do tema Desafios e Oportunidades Logísticas no Comércio Atacadista, trouxe um panorama sobre o esgotamento da infraestrutura portuária brasileira e os desdobramentos para o setor cafeeiro, um dos principais grandes exportadores do cenário nacional. As discussões também reforçaram a importância da atuação da FecomercioSP na articulação entre o setor produtivo e o Poder Público em busca de soluções estruturais para favorecer o ambiente de negócios, o atacado e o comércio exterior brasileiro.Na ocasião, Santos ressaltou que o Brasil se consolidou como o maior produtor e exportador mundial de café, com exportação média de 42,3 milhões de sacas nos últimos cinco anos e safra recorde estimada em 66,2 milhões de sacas para 2026. O setor responde por cerca de 3,5 milhões de empregos diretos e indiretos e representa aproximadamente 40% da demanda mundial do produto, considerando consumo interno e exportações. Entretanto, o crescimento da produção e dos embarques não tem sido acompanhado pela expansão da infraestrutura logística.Analisando a distribuição dos produtos brasileiros, observou que “o Agronegócio nacional segue ampliando sua capacidade produtiva e conquistando mercados. O desafio, agora, é garantir que a infraestrutura acompanhe essa evolução para que o País mantenha sua competitividade internacional”, destacou o diretor.Gargalos elevam custos e reduzem competitividadeDados do Cecafé mostram que a movimentação de contêineres no Brasil cresceu 72,4% nos últimos dez anos, enquanto o Porto de Santos, principal corredor de exportação do café brasileiro, registrou expansão de 53% no período. A diferença evidencia a pressão crescente sobre a infraestrutura existente.O estudo também apontou elevados índices de atrasos, cancelamentos e omissões de escalas em terminais portuários, além de congestionamentos recorrentes, falta de previsibilidade operacional e