ALVO DE UMA OPERAÇÃO da Polícia Federal por suspeita de fraude financeira, o Banco Digimais deve quase R$ 2 milhões em encargos trabalhistas aos funcionários. A instituição é ligada ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e proprietário da Record TV, organizações historicamente associadas ao partido Republicanos.
Ao todo, o banco deve R$ 1,94 milhão por infrações trabalhistas ocorridas entre dezembro de 2019 e janeiro de 2025, segundo informações de fiscalização do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) obtidas pela Repórter Brasil. Entre as irregularidades estão o não pagamento de horas extras, 13º salário e FGTS, a supressão de intervalos para descanso durante e entre jornadas, o descumprimento de folgas e a imposição de jornadas excessivas. O banco recorre das autuações.
A apuração iniciada em 2024 analisou mais de 676 mil registros de jornada, folhas de pagamento, banco de horas, arquivos digitais dos dois CNPJs do banco e visita à sede, no bairro Cidade Monções, área nobre da capital paulista.
Na época, o Digimais contava com 389 funcionários ativos, mas as infrações também se estendem a ex-trabalhadores, somando cerca de 500 pessoas afetadas.
A inspeção identificou mais de 26,1 mil irregularidades nas marcações de ponto dos trabalhadores, das quais 13,9 mil são por excesso de jornada.
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“Houve uma sonegação sistemática de verbas trabalhistas”, afirma Livia Ferreira, auditora-fiscal e coordenadora do projeto de combate à discriminação e ao assédio da Superintendência Regional do Trabalho em São Paulo.
Ela aponta que foram constatados indícios de fraude no banco de horas para maquiar a jornada excessiva, que superava dez horas diárias e englobava casos de funcionários submetidos a 16 dias consecutivos de trabalho sem descanso. “A gente recebeu denúncia de que os trabalhadores estavam sendo intimidados para poder aderir a esse banco de horas”,
