<![CDATA[O governo dos Estados Unidos concluiu, nesta terça-feira (2), a investigação comercial iniciada contra o Brasil em 2025, propondo a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre todos os produtos nacionais importados pelo país norte-americano, com diversas exceções. A medida, ainda não definitiva, foi proposta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que classifica práticas brasileiras em seis áreas como “irrazoáveis” e prejudiciais ao comércio estadunidense. O prazo para decisão final do presidente Donald Trump expira em 15 de julho, após consulta pública e audiência marcada para 6 de julho.Esta é a segunda rodada de pressão tarifária americana no período. Em julho do ano passado, Trump havia imposto tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras — medidas derrubadas pela Suprema Corte do País em fevereiro deste ano. O novo tarifaço tem fundamentação mais técnica, mas a leitura de especialistas é de que se trata de um instrumento de pressão geopolítica tanto quanto comercial.O USTR identificou seis eixos de litígio: comércio digital — decisões judiciais brasileiras que ordenaram remoção de conteúdo político e suspensão de perfis em plataformas americanas, com bloqueio de ativos às empresas que não cumpriram; serviços de pagamento eletrônico — com foco no PIX; tarifas preferenciais desleais ao México e à Índia em detrimento dos Estados Unidos; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual, citando nominalmente a Rua 25 de Março e o prazo de cerca de nove anos para análise de patentes biofarmacêuticas; desmatamento ilegal, apontado como vantagem competitiva injusta para o Agronegócio brasileiro.PIX e 25 de Março em risco?O caso do PIX merece atenção especial. O USTR argumenta que o Banco Central do Brasil (BCB) age ao mesmo tempo como regulador e proprietário do sistema, favorecendo-o em detrimento de concorrentes privados, especialmente empresas norte-americanas como Visa, Mastercard e operadoras de cartão. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) defende o PIX como uma política pública legítima e bem-sucedida: lançado em novembro de 2020, o sistema — que conta com mais de 160 milhões de usuários — democratizou o acesso a serviços financeiros e reduziu estruturalmente os custos de transação na economia brasileira. O sucesso da modalidade de pagamento não configura práti