No palco, o ator Déo Garcez, intérprete do advogado e jornalista Luiz Gama (1830 – 1882), olha para o público e pausadamente exprime: “A liberdade e a igualdade não são privilégios e sim direitos de qualquer pessoa”. Ele repete. Cada pessoa da plateia no Teatro dos Bancários, em Brasília, também. E as palavras ganham ainda mais força.
“Liberdade”, “igualdade”, “direitos”. As palavras viajam no tempo. Parecem simples no espetáculo Luiz Gama: uma voz pela liberdade.
Notícias relacionadas:Lavagem da Escadaria do Bixiga reafirma presença negra no centro de SP.Salvador festeja mais uma edição do Bembé do Mercado.13 de maio: dia de reflexão sobre como reparar danos da escravidão.Na última semana, em que a abolição oficial da escravatura completou 138 anos, em 13 de maio, uma encenação e um debate em Brasília trouxeram à tona como o legado do intelectual é vivo e ganha visibilidade em distintos caminhos.
A arte teatral, por exemplo, ajuda a promover conhecimento e transformação com novas reflexões contra o preconceito que sobrevive, em máscaras diversas, pelo país, conforme argumenta o ator, que também é autor do texto do espetáculo que encena há mais de uma década.
O ator diz que se identifica plenamente com o personagem que leva ao palco e que busca promover a fim de elevar o nível de conscientização.
“A arte tem esse papel de não somente entreter, divertir, mas de trazer questões importantíssimas para a gente discutir, para a gente tentar transformar”, afirma.
Ideias transformam
Para o sociólogo Jessé Souza, que esteve em Brasília para debater sobre o legado de Luiz Gama, a população deve compreender que a escravidão está entre nós antes de tudo nos símbolos e nas ideias.
“As ideias são o que é mais importante no mundo. O nosso comportamento é determinado por ideias”, diz.
Por isso, o ideário deixado pelo intelectual pode ser considerado arma de combate para todos os processo da escravidão moderna contra trabalhadores do nosso tempo.
“A escravidão continua, sob formas modernas, simulando que se trata de uma democracia. O racismo é a alma desse país”, considera.
Pesquisadores, como Jessé Souza, enfatizam que Gama atuou na área jurídica e na imprensa e é considerado patrono da abolição brasileira. Sua trajetória do passado e os desafios de conscientização com avanços legais impõem trazer sua história como caminho de luta.
As ideias podem então, como explica, ao mesmo tempo que erguem, ajudar a combater a estrutura de racismo e evocam a nece
