Era uma sexta-feira, dia 12 de maio, véspera do final de semana do Dia das Mães. Naquele dia, há exatos 20 anos, diversas rebeliões passaram a ser registradas nos presídios de São Paulo.
Um dia antes, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) havia decidido transferir 765 presos para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, uma unidade de segurança máxima no interior paulista. Entre os presos estava Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o líder da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Notícias relacionadas:Entidades denunciam à ONU omissão do Brasil nos Crimes de Maio de 2026.Famílias criam tribunal popular para julgar Crimes de Maio.“E foi essa megatransferência que fez os presos darem o salve para os ataques”, lembra o jornalista e professor Bruno Paes Manso, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da Universidade de São Paulo (USP).
A ofensiva começou com rebeliões de presos em 74 penitenciárias do estado e, logo depois, chegou às ruas, quando viaturas, delegacias de polícia, prédios públicos e agentes policiais passaram a ser alvos do PCC.
A produtora cultural Mônica Trindade Canejo teve a filha Helena Trindade Canejo de Paiva, hoje com 20 anos, na semana dos ataques conhecidos como Crimes de Maio – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
A produtora cultural Mônica Trindade Carneiro se lembra bem desse período. Há 20 anos, ela estava grávida de Helena. As contrações do parto tiveram início na madrugada do dia 17 de maio, quando o clima de tensão ainda era intenso em São Paulo.
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Naquela época, ela morava na Avenida Paulista, no centro da capital, e não tinha carro. Como ainda não havia aplicativos de transporte, teve que sair na rua para pedir um táxi e poder seguir até a maternidade. “A rua estava vazia, não tinha carro, não tinha gente, era um ou outro táxi passando, e a gente deu sorte de conseguir pegar um táxi que estava passando na hora”, conta.
Mesmo tendo conseguido o táxi e as ruas estando vazias, o caminho até a maternidade não foi nada fácil. “Do nada, o taxista simplesmente embicou o carro numa base da Polícia Militar. E, assim, todos os policiais que estavam lá [dentro da base], saíram. Todos apontando armas para o carro, o carro foi todo cercado, todo mundo apontando armas, aos gritos, sabe? Dava para ver no rosto deles que estavam com medo porque eles estavam sendo atacados. E qualquer carro podia ch
