Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
A Comissão de Cultura debateu o assunto nesta semana
Especialistas e representantes do setor cultural defenderam na Câmara dos Deputados a criação de regras para a proteção dos trabalhadores do setor. O assunto foi tema de dois debates na Comissão de Cultura nesta semana.
Nos encontros foi discutida a minuta do Estatuto do Trabalhador da Cultura, das Artes e Eventos, que propõe criar regras específicas para o setor. As reuniões foram coordenadas pela deputada Erika Kokay (PT-DF) e pelo deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ).
A proposta cria um marco legal para o setor, ao reconhecer características como a intermitência (trabalho descontínuo) e a existência de múltiplos vínculos.
O pesquisador Frederico Augusto Barbosa da Silva, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), explicou as diferenças desse ramo de atividade: “O trabalho cultural é marcado por intermitência, múltiplos vínculos e informalidade estrutural. Há diferenças em relação à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).”
Entre as propostas do texto estão:
Contrato intermitente qualificado: prevê trabalho por períodos, com pagamento pela disponibilidade e reconhecimento dos intervalos sem atividade;
Seguro cultural complementar: inspirado em modelos da França e de Portugal, busca garantir renda mínima em períodos sem projetos; e
Regras para uso de inteligência artificial: incluem proteção da imagem, da voz e do estilo dos artistas.
Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Jorge Bichara sugeriu fontes de recursos para fundo de proteção aos trabalhadores
Financiamento e fiscalização
Representantes da sociedade civil cobraram a definição de fontes de financiamento para o novo fundo de proteção.
Jorge Bichara, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Educação e Cultura (CNTEC), sugeriu usar recursos da Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional), além de editais e impostos sobre bilheteria.
A fiscalização também foi apontada como um desafio.
O presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espectáculos de Diversões do Paraná, Adriano Esturilho, afirmou que empresas frequentemente recusam registrar contratos, alegando a chamada pejotização (contratação como pessoa jurídica). “O fato de sermos MEI não pode justificar a retirada de direitos conquistados em 1978”, disse.
Posicionamento do governo
O Ministério da Cultura defendeu a aprovação da proposta com urgência.
O diretor de Políticas p
