<![CDATA[Os reajustes das tarifas de transportes e dos cursos educacionais prejudicaram o orçamento das famílias, fazendo endividamento e inadimplência subirem neste começo de ano, apesar de o mercado de trabalho ainda estar consolidado em São Paulo. Dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) mostram que o porcentual de lares com algum tipo de dívida aumentou de 70%, em fevereiro, para 71,1%, em março, e a inadimplência passou de 20,4% para 20,9% no mesmo período [gráfico 1]. Os números da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada mensalmente pela Federação, sugerem uma piora relativa nas condições econômicas das famílias, com mais necessidade de crédito para manter o consumo básico e maior dificuldade para quitar os compromissos assumidos. [GRÁFICO 1]Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC)12 mesesFonte: FecomercioSP. Atualmente, a capital paulista tem 3,2 milhões de famílias endividadas e cerca de 940 mil inadimplentes. Os porcentuais cresceram até mesmo em relação ao ano passado, quando o endividamento atingia 69,2% dos lares, e 19,3% da população não havia quitado os compromissos assumidos. A FecomercioSP avalia, no entanto, que o cenário ainda não é tão negativo a ponto de gerar reflexos mais amplos na economia da cidade. Inadimplência aumenta em todas as faixas de renda A dificuldade em honrar os compromissos assumidos está presente não apenas entre as famílias com renda menor do que dez salários mínimos, mas também entre aquelas que ganham acima desse valor. No grupo com salários mais baixos, o não pagamento dos compromissos saiu de 25,2% para 25,6%. No outro grupo, o porcentual cresceu de 8,6% para 9,2%. Quanto aos endividados, o porcentual entre as famílias com renda menor que dez salários mínimos ficou em 74,5%, enquanto, entre aquelas que ganham acima desse valor, foi de 61,3%. Ambos os grupos, porém, estão acima do observado em fevereiro (73,5% e 59,8%, respectivamente) e em março de 2025 (73,3% e 57,2%). A maioria das pessoas está endividada no cartão de crédito (79,3%) — em fevereiro, eram 78,7%. Na sequência, aparecem o financiamento imobiliário (16%), o crédito pessoal (12,3%) e o financiamento de veículos (10,5%). O crédito consignado (5,8%) atingiu o maior patamar desde outubro de 2024. Dentre os inadimplentes, o tempo médio de atraso aumentou ao longo dos meses. Em março, registr
