<![CDATA[Por que o Brasil está tão longe das metas de universalização do saneamento básico?]]

<![CDATA[Quanto custaria oferecer água limpa e esgoto tratado a todos os brasileiros? Não é uma pergunta fácil de responder, mas o engenheiro Fabiano Pompermayer foi às contas. Pesquisador no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) — com passagens por diferentes cargos técnicos no Ministério da Economia, que existiu durante o governo de Jair Bolsonaro (2019–2022) —, ele calcula que esse custo estaria entre R$ 313 e R$ 394 por pessoa, anualmente. Os dados — publicados em um relatório do Ipea no ano passado, uma coautoria de Pompermayer, André Serrano e Gabriela Saiki — variam a partir da densidade demográfica dos municípios. Os menores, de até 10 mil habitantes, teriam gastos operacionais menores (entre R$ 313 e R$ 331 por pessoa) do que as grandes cidades, acima de 250 mil moradores (R$ 386 a R$ 394). “Pense que, em uma cidade grande, é preciso mais energia para bombear a água e distribui-la à população — a mesma coisa com o esgoto, que depende de uma rede enorme para levá-lo até as estações de tratamento”, explica Pompermayer. E lembra, ainda, que as águas próximas aos centros urbanos tendem a ser mais poluídas, o que exige mais produtos para limpá-la, entre muitos outros fatores que encarecem o serviço. Pompermayer e seus colegas chegaram a esses números aplicando um método de análise de unidades de gestão — que, no estudo, são cidades. A partir dessa divisão, foram mensurados o nível da eficiência dos recursos disponíveis e usados em cada localidade e a cobertura do serviço ao qual esses recursos estão alocados. “Em suma, é um jeito de medir como gastar menos recursos e oferecer o máximo de eficiência”, observa. É por isso que o resultado diverge do custo per capita de universalização utilizado por pesquisas como a do Instituto Trata Brasil, de R$ 223,82 (Ranking do Saneamento de 2025, no ano-base de 2023), que se vale de estudos técnicos produzidos pelo governo federal a partir das dinâmicas de cada localidade. O problema é que, pelos dados do Trata Brasil — organização da sociedade civil de formaç&ati

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