<![CDATA[Quem gira a economia circular]]

<![CDATA[O Brasil produz cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos por ano, 382 quilos por habitante. No entanto, apenas 8% dos resíduos secos das cidades brasileiras seguem para a reciclagem, um porcentual ainda baixo — e potencial gigantesco para o meio ambiente e a geração de emprego e renda. Ainda estigmatizados, os catadores de recicláveis carregam boa parte da responsabilidade pela economia circular, mas a organização em cooperativas ganha espaço, com mais segurança e dignidade para os trabalhadores.Localizada no movimentado bairro industrial da Lapa de Baixo, na zona oeste da Cidade de São Paulo, em meio à fumaça despejada pelas fábricas e pelos milhares de veículos que trafegam pela engarrafada Marginal Tietê, a Cooperativa de Reciclagem Crescer respira plástico, vidro, metal e papel. Em um contínuo vaivém de caminhões, chegam ao local, diariamente, em torno de 12 toneladas de resíduos recicláveis coletados nos domicílios da capital paulista e em grandes empresas parceiras. Despejados no galpão de 1,2 mil metros quadrados, tem início o processo de triagem e classificação.Primeiro, os resíduos formam uma pilha de 10 metros diante de uma esteira elevatória de 7 metros, que os transporta até outra esteira de 18 metros. Diante dela, homens e mulheres alijados do mercado de trabalho convencional separam os 32 tipos de recicláveis em grandes sacos de plásticos — as big bags —, dispostos abaixo da plataforma. Uma vez limpo, moído, prensado ou fundido, conforme o tipo, o material é vendido para as indústrias de reciclagem, a maioria em cidades do interior de São Paulo e em Estados vizinhos, como o Paraná, que abriga recicladoras de aparas de papel.Nessas empresas, são transformados em embalagens e outros itens que retornam ao mercado, concluindo o ciclo da economia circular. Um processo virtuoso, mas que padece do desconhecimento de boas práticas por parte da sociedade, da ausência de políticas públicas e, principalmente, do preconceito da população, que ainda enxerga como cidadão de segunda classe o catador que perambula pelas ruas, ou o trabalhador que atua nas cooperativas.“Houve uma evolução de 20

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