Carnaval e direito à cidade: afeto, cultura e resiliência
francisco.dasi…
Thu, 02/12/2026 – 14:08
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Brasil
A magia do carnaval chegou. Em diálogo com uma das maiores expressões culturais do Brasil, o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) lança sua campanha anual carnavalesca: “Carnaval e direito à cidade: afeto, cultura e resiliência”.
O carnaval ocupa as ruas, transforma a paisagem urbana e revela, de forma potente, como as cidades são vividas por corpos diversos. É festa, mas também é um momento para refletir sobre políticas públicas, cultura, trabalho, economia, direitos e afeto.
O direito à cidade e a Agenda 2030
O mandato do ONU-Habitat está diretamente alinhado ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 (ODS 11) da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que busca tornar as cidades e comunidades mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis.
Dentro desse objetivo, a meta 11.7 estabelece que, até 2030, deve ser garantido o acesso universal a espaços públicos seguros, inclusivos, acessíveis e verdes, com atenção especial para mulheres, crianças, pessoas idosas e pessoas com deficiência. Garantir espaços públicos de qualidade é uma manifestação concreta do direito à cidade.
Por isso, pensar o carnaval passa por pensar o direito à cidade. A festa popular escancara desigualdades, mas também aponta caminhos: ruas ocupadas com alegria, diversidade, convivência e pertencimento mostram o potencial transformador dos espaços públicos quando são pensados para todas as pessoas.
Foto: © Camila Nogueira/ONU-Habitat Brasil.
Carnaval é coisa séria
Neste ano, marchinhas e músicas que atravessam gerações embalam a narrativa da campanha. Artistas, foliãs, foliões e todas as pessoas que constroem o carnaval no dia a dia sabem há muito tempo: carnaval é coisa séria.
Além de patrimônio cultural imaterial, o carnaval movimenta a economia local, fortalece cadeias produtivas criativas e amplia o acesso à cultura. É também um espaço de expressão política, de resistência e de reinvenção dos modos de estar na cidade.
O escritor, historiador e professor, Luiz Antonio Simas, em seu livro “O corpo encantado das ruas”, nos lembra da importância de valorizar os saberes e práticas das culturas populares que resistem aos padrões hegemônicos. Ao escrever sobre as ruas
