Starbucks registra compras de café na Suíça e pode prejudicar Brasil, diz estudo

Um relatório internacional aponta que países produtores de café, como o Brasil, Colômbia e Etiópia, podem estar perdendo arrecadação com a prática da Starbucks de registrar compras, ao menos no papel, em uma subsidiária na Suíça, onde a carga tributária seria mais baixa. A estratégia evitaria a cobrança de impostos em territórios onde o café é cultivado, que tendem a ter maiores taxas. 

O estudo é do CICTAR (Centro para Pesquisas Internacionais sobre Tributação Corporativa, na sigla em inglês), que reúne uma rede de pesquisadores de diversos países. Segundo o trabalho, a multinacional de café concentra lucros em uma subsidiária na Suíça, que adota uma margem de 18% sobre as vendas internas do grupo. Já os investimentos diretos em comunidades produtoras seriam baixos diante do volume de dividendos transferidos ao exterior pela empresa.

“Apesar do poder cada vez maior das multinacionais nas economias e nas nossas vidas, há pouquíssima informação sobre como de fato atuam, quanto lucram em cada país e quanto pagam de impostos. O pouco que conseguimos acessar precisa ser traduzido e usado pela sociedade para entender essas empresas para além da propaganda”, afirma Livi Gerbase, pesquisadora do CICTAR.

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O CICTAR procurou a Starbucks e incluiu a resposta da empresa no relatório. A empresa “rejeita categoricamente” as conclusões do relatório do CICTAR e afirma que o documento não reflete com precisão suas operações comerciais e seu compromisso com a transparência e o fornecimento ético. “Discordamos fortemente das caracterizações do relatório, que deturpam tanto a forma como operamos nosso negócio quanto nosso compromisso com o fornecimento ético e a transparência”, declarou ao CICTAR.  

A Repórter Brasil também procurou a Starbucks, mas a companhia não respondeu até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado em caso de manifestação

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