Vereador investigado por bomba em aeroporto se junta à caminhada de Nikolas Ferreira

A CAMINHADA do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) até Brasília ganhou a presença de um vereador paraense investigado no caso do atentado frustrado a bomba nas proximidades do aeroporto da capital federal, em dezembro de 2022. O episódio ocorreu poucos dias antes dos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando bolsonaristas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes.

O vereador Ricardo Pereira Cunha (PL), de Xinguara (PA), publicou nesta sexta-feira (23) um vídeo em suas redes sociais afirmando que está a caminho da capital para se juntar ao deputado. “Aguenta firme, Nikolas, estamos chegando aí”, diz Cunha na gravação. Neste sábado (24) ele publicou outro vídeo já na caminhada.

Um dos objetivos do deputado mineiro é transformar a caminhada em um ato em defesa de anistia para os condenados por participarem da tentativa de golpe.

Ver esta publicação no Instagram Uma publicação partilhada por Ricardo Pereira Cunha (@ricardoxinguara)

Um relatório da Polícia Civil do Distrito Federal entregue à CPMI do 8 de janeiro apontou Cunha como investigado no caso do atentado frustrado, quando um caminhão-tanque foi alvo de uma tentativa de explosão nas proximidades do aeroporto de Brasília. O autor do plano era George Washington de Oliveira Souza, bolsonarista que confessou ter montado o artefato explosivo e foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão. Apesar de investigado, Cunha não foi indiciado por envolvimento no atentado. 

Segundo transcrições de mensagens obtidas pela Polícia Civil do Distrito Federal, Cunha trocou mensagens com George Washington ao longo de dezembro de 2022, período em que bolsonaristas mantinham um acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, pedindo intervenção militar após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas urnas.

Em uma das conversas, George Washington escreveu: “Passei o dia no QG”, em referência ao acampamento. Cunha respondeu: “Tem uma missão” e “Que você precisa fazer parte”.O diálogo foi revelado pelo UOL, em julho de 2023. 

Em 14 de dezembro, George Washington perguntou a Cunha: “Vc pode trazer aquele material do caminhão?”. Cunha respondeu “Sim” e completou: “Só deixar no jeito”. Dias depois, na madrugada de 23 de dezembro, véspera do atentado, George Washington escreveu: “Não volto com o material”. Segundo relatório policial citado pelo UOL, George Washington afirmou em uma entrevista informal na delegacia que Cunha teria enviado o explosivo.

Compartilhe