<![CDATA[Agenda climática e negócios: as lições de 2025 e os desafios de 2026 para o Comércio e os Serviços]]

<![CDATA[Por Cristiane Cortez e José Goldemberg*No início de 2025, o debate climático esteve cercado de grandes expectativas. O Brasil se preparava para sediar a COP30, em Belém, em um contexto de crescente urgência diante do avanço das mudanças climáticas. Havia a percepção de que o País poderia exercer protagonismo internacional, especialmente nos temas relacionados a financiamento climático, transição energética, mercado de carbono e combate ao desmatamento.Ao longo do ano, contudo, o balanço que se consolida é mais complexo. O evento trouxe avanços relevantes, sobretudo no fortalecimento da agenda de adaptação, na valorização do papel de Estados, municípios e outros agentes subnacionais e na ampliação do debate sobre soluções baseadas na natureza. Ao mesmo tempo, ficou evidente a dificuldade de avançar em compromissos globais mais ambiciosos para a redução do uso de combustíveis fósseis, em razão das limitações do modelo multilateral baseado no consenso.O ano passado nos mostrou que, embora indispensáveis, os grandes fóruns internacionais não são suficientes, por si só, para responder à urgência climática. Além disso, ganhou força a compreensão de que a ação climática precisa combinar esforços mundiais com iniciativas paralelas, regionais e setoriais, capazes de avançar mesmo diante de impasses geopolíticos. A transição para uma economia de baixo carbono passou a ser vista menos como um objetivo distante e mais como um processo contínuo, que exige decisões práticas e graduais.Consolidou-se, ainda, a percepção de que as conferências climáticas vêm se afastando, ao longo do tempo, de um papel mais regulador e mandatório, assumindo funções relevantes de diálogo, educação e articulação, mas com limitada capacidade de induzir mudanças estruturais na velocidade necessária. Frente ao agravamento dos impactos climáticos, a questão central passa a ser recuperar instrumentos capazes de promover uma transição energética realista, com p

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