Milhares de pessoas no Irã foram às ruas neste domingo (11) e segunda-feira (12), desta vez em atos pró-regime da República Islâmica e para criticar os distúrbios que vêm sacudindo o país nos últimos dias e teriam causado a morte de 490 manifestantes e 48 agentes das forças de segurança, segundo levantamentos não oficiais.
Desde dezembro do ano passado, o Irã registra uma onda de protestos antigovernamentais que levou o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, a sugerir uma invasão ao país persa para “ajudar” os manifestantes alvos da repressão estatal.
Notícias relacionadas:Trump diz que Estados Unidos “estão prontos para ajudar o Irã”.Manifestações contra governo do Irã já tem 65 mortos e 2.300 presos.Por outro lado, o governo iraniano divulga vídeos de manifestantes armados nas ruas do país acusando-os de vandalismo e de agir a mando de “estrangeiros” para justificar uma invasão pelos EUA e por Israel.
O jornalista, cientista político e professor de relações internacionais, Bruno Lima Rocha, avalia que o que era um protesto legítimo contra o aumento do custo de vida do país se tornou uma ameaça externa de bombardeio pelos EUA.
“Diante de uma questão de soberania, a população foi convocada pelo pelas forças que compõem a República, e tem essa multidão na rua”, disse Rocha, que também é editor da Hispan TV Brasil, mídia iraniana sediada no Brasil.
O especialista avalia que a violência dos distúrbios nos últimos dias e a declaração de Trump de que bombardearia o país isolaram os protestos antigovernamentais.
“Parece que tem uma política de incentivo para elevar o nível de violência e, quem sabe, fazer o país ser atacado de novo. Isso ninguém vai admitir. Isso isola o protesto e fica como se fosse uma traição nacional e vai se criando um grande consenso contra os distúrbios antigoverno”, completou Bruno.
Nesse domingo (11), Trump informou que os militares dos EUA estão avaliando opções de ação em relação ao Irã e que uma reunião com lideranças de Teerã deve ser marcada.
“Os militares estão analisando, e estamos considerando algumas opções muito sólidas. Tomaremos uma decisão. Talvez tenhamos que agir antes da reunião [com Teerã]”, disse Trump à repórteres.
Violência
Nesta segunda, o Ministério das Relações Exteriores do Irã convocou embaixadores de países que declararam apoio aos protestos para mostrar vídeos de manifestantes armados encapuzados abrindo fogo durante os atos dos últimos dias.
Os vídeos mostram ainda cenas de vandalis
