Ação de Trump nas Américas favorece Putin na Ucrânia, diz historiador

A invasão da Venezuela pelos Estados Unidos (EUA) e as ameaças de Donald Trump contra Colômbia, Groenlândia e México favorecem o avanço militar da Rússia contra a Ucrânia, avalia o historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva.

“Os EUA estão muito ocupados com aquilo que o Marco Rubio [secretário do Departamento de Estado dos EUA] chamou, infelizmente, de hemisfério ‘deles’. Então, é possível que isso dê uma autorização tática para a Rússia liquidar de vez o problema ucraniano”, disse.

Notícias relacionadas:Petro diz que temeu ser capturado pelos EUA assim como Maduro.Trump diz que EUA atacarão cartéis de droga por terra.EUA querem Groenlândia para barrar China no Ártico, dizem analistas.A Ucrânia sofreu, na última noite, um amplo ataque russo com drones e com o míssil hipersônico Oreshnik, que pode chegar a dez vezes a velocidade do som e não pode ser detectado. Está é a segunda vez que Moscou usa essa arma na Ucrânia.

Para o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o mundo vem inaugurando uma nova ordem mundial onde “é cada um por si” nas relações internacionais.

EUA se empoderaram após ataque militar à Venezuela, diz historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva.- Foto: Reuters/Proibida reprodução

“Trump se empoderou com o que fez na Venezuela. É muito provável que ele passe a agir em outros territórios, como a Groenlândia. Ele disse também que pode mandar expedições terrestres contra o México. Se o Trump está resolvendo o que ele acha ser o ‘quintal’ dos EUA, então o ‘quintal’ da Rússia também tem que ser organizado”, destacou Silva. 

No final do ano passado, os EUA publicaram documento com a estratégia de segurança nacional reafirmando a “proeminência” de Washington no Hemisfério Ocidental, que engloba as Américas do Sul, Central e do Norte, o que foi interpretado como um recado à China e outros adversários da Casa Branca.

Europa encurralada

O analista militar e de geopolítica Robinson Farinazzo, oficial da reserva da Marinha do Brasil, disse à Agência Brasil que as ambições de Trump com a Groenlândia colocam a Europa em uma posição ainda mais delicada.

“O Trump querendo a Groenlândia, de um lado, e os russos atacando do outro. Com uma arma sofisticada dessa [míssil Oreshnik], eu acho que alguns líderes europeus vão ter que pensar duas vezes quais vão ser as próximas decisões. O grande perdedor, lógico, é a Ucrânia. Mas o segundo maior perdedor nessa guerra é a Europa”, comentou Farinazzo.

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