Mulheres negras em marcha defendem reparação econômica

O Brasil começa a reconhecer o peso de quase 400 anos de escravidão, um legado que ainda molda a desigualdade no país. Pessoas negras seguem na base da pirâmide: menos renda, menos acesso à terra, à moradia e a direitos básicos.

Esse movimento também pressiona os países que lucraram com o tráfico de africanos no século 19 a avançar em ações de reparação. A avaliação é da administradora e articuladora do movimento negro Ruth Pinheiro. 

“Quando falamos em reparação, queremos, primeiro, o reconhecimento nacional sobre essa a necessidade de reparação. Segundo, políticas públicas”, afirmou a ativista. “A sociedade precisa entender a reparação com um direito, compreendendo o contexto e o motivo de pessoas negras ainda serem maioria nas favelas, na prostituição e no tráfico”.

Brasilia 23/11/2025 – Ruth Pinheiro: “Quando falamos em reparação, queremos reconhecimento sobre o contexto do racismo”. Foto: cadonexpert/Divulgação

Notícias relacionadas:Reparação e bem-viver: por que marcham as mulheres negras.Brasília se prepara para receber Marcha Nacional das Mulheres Negras .”Sou Pantera Negra do meu tempo”, afirma gestora cultural e ativista.A reparação e o bem-viver serão temas da 2ª Marcha de Mulheres Negras, que pretende reunir 1 milhão de pessoas, em Brasília, dia 25 de novembro. Para detalhar suas propostas de reparação, a marcha lançou o Manifesto Econômico, com propostas em sete eixos. A lista inclui a criação de um fundo, a taxação de grandes fortunas, redução da taxa de juros, blindagem do orçamento social, reformas agrária e urbana, além de linhas de crédito e ações afirmativas em empresas que atendem à administração pública.

As mulheres negras são quase 60 milhões no país, uma em cada três brasileiros, e o grupo populacional mais afetado pela pobreza, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Elas são as maiores vítimas da limitação ao aborto legal, feminicídio, pobreza, ausência de moradia, recebem os piores salários, então, políticas que garantam uma reversão desses indicadores precisam ser adotadas para se fazer justiça”, afirmou a coordenadora do Movimento Negro Unificado (MNU), Simone Nascimento.

Um dos setores que requerem reparação é o de povos de terreiro. Nas últimas semanas, a Polícia Militar de São Paulo entrou armada em uma escola, após uma criança desenhar a orixá Iansã, em uma atividade. A violência da abordagem evidencia o racismo religioso, na avaliação de Mãe Nilce de Iansã.

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