Jovens identificam que racismo é marcador das desigualdades no DF

“Desastre natural, racismo ambiental/ Sem orçamento pra comunidade tradicional/ Emergência climática de um racismo estrutural”.

Os versos de rap de jovens que se identificaram como Pajé, Camila MC e Nerd do Gueto, de regiões periféricas do Distrito Federal (DF), fazem parte dos resultados de uma pesquisa intitulada Mapa das Desigualdades, que será divulgada no dia 10 de dezembro, data comemorativa dos Direitos Humanos.

Notícias relacionadas:Brasília recebe Marcha das Mulheres Negras em 25 de novembro.Em Brasília, movimentos organizam agenda em defesa da tarifa zero.A pesquisa composta por cruzamento de dados, gráficos, poesias e músicas é realizada por 30 jovens ativistas moradores de regiões vulneráveis da capital federal sob coordenação do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). Eles identificaram que o racismo é um marcador das desigualdades em Brasília.

Os realizadores buscam visibilizar os contrastes em detalhes a respeito dos acessos a políticas públicas. Para identificar essas desigualdades, um ponto de partida é a última Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios. Ao observar os dados, foi possível perceber que as desigualdades são atravessadas por discriminação racial.

Um exemplo está nas regiões vizinhas ao Lago Sul (bairro nobre de Brasília, de maioria branca) e Itapoã (comunidade pobre da capital que tem grande parte da população negra). Em termos de acesso, a população do Itapoã não tem serviços públicos básicos como creches e hospitais. O transporte é precário e há muitas localidades sem saneamento básico.

Jovens são impactados

O educador social Markão Aborígine, de 40 anos, do Inesc, que trabalha com os jovens na pesquisa, disse que o Mapa das Desigualdades tem o propósito de reunir jovens em torno desse tema, já que a infância, a adolescência e a juventude seriam os mais impactados pela desigualdade. “Praticamente 100% do Mapa foi construído por esses jovens desde fevereiro”, destacou.

“Esses jovens vivem, por exemplo, a falta de acesso a serviços públicos e de arborização nos territórios. Isso eles traduziram em música. São mais do que dados”.

Markão cita que no Plano Piloto de Brasília, por exemplo, 98% das pessoas têm acesso a praças e bosques. Enquanto que no Itapoã, apenas 34% das pessoas têm proximidade a esses espaços.

O educador diz que os jovens perceberam que as regiões mais negras do DF são vazias de políticas públicas. “Quando a gente olha para as regiões periféricas, a maioria da população é preta. A questão

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