"Divisão sexual do trabalho não desapareceu", diz influencer feminista

A influenciadora Jaqueline Pinheiro uniu empreendedorismo social com ativismo feminista e percorre o país ensinando a mulheres e pessoas não binárias como consertar coisas e fazer reparos em casa ─ serviços residenciais geralmente terceirizados a homens.

As oficinas de manutenção básica acabam por dar mais autonomia e emponderamento às mulheres, que não caem mais no golpe da “rebimboca da parafuseta”, como dizia um antigo comercial da televisão.

Notícias relacionadas:Empresas pagavam, em média, 15,8% mais a homens que a mulheres em 2023.Pesquisa indica mulheres jovens mais progressistas que homens.Mulheres rurais enfrentam informalidade e desigualdade no campo.Os anúncios das aulas itinerantes são compartilhados em seu perfil no Instagram, onde assumiu o nome de Jaque Conserta. Na rede social, também publica vídeos narrados por ela de homens em situações hilárias, constrangedoras e irracionais, próprias da “machulência” ─ um neologismo que ouviu em Pernambuco e adotou para descrever comportamentos ridículos e machistas. A fórmula deu certo, e Jaque Conserta reuniu mais de 111 mil seguidores.

“Duas coisas rompem bolhas nas redes sociais: o ódio e o humor. Eu não trabalho com ódio”, disse a influenciadora à Agência Brasil.

 

Influenciadora Jaque Conserta promove oficinas para as seguidoras. Foto: Arquivo pessoal

O trabalho de Jaque, formada em cinema pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), provoca reflexões sobre as relações de gênero e os problemas sociais no Brasil.

A seguir os principais trechos da entrevista à Agência Brasil.

Agência Brasil: Como começa seu interesse por consertar as coisas?

Jaque Conserta: Eu passei boa parte da minha infância dentro de uma loja de materiais de construção. Minha avó era dona de uma, eu ia passar as férias com meu pai, que repassava os cuidados para a minha avó, e ela me levava para a loja. Então, as minhas férias eram dentro do depósito dessa loja de materiais de construção. Os elementos [equipamentos, ferramentas e peças] acabaram entrando no meu universo.

Mas eu considerar a me dedicar a isso demorou bastante. Tem nove ou dez anos só, já estava com 32 anos. Esse trabalho como Jaque Conserta foi a forma que encontrei de aliar a minha militância e a minha geração de renda. Meu trabalho é ajudar os processos de autonomia das mulheres.

Agência Brasil: Você diria que existe alguma dinâmica social que afasta as mulheres dos serviços de consertos e reparo

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