‘Antes de quadruplicar biocombustível, demarque territórios’, diria cacica a Lula

DE BELÉM – “Antes de quadruplicar o biocombustível, demarque os nossos territórios”, diria a cacica Yuna Miriam Tembé, do território indígena I’xing, no Vale do Acará (PA), se pudesse se dirigir ao presidente Lula durante a COP30. Para ela, a produção de biocombustíveis “não é limpa” e carrega “sangue indígena, negro e ribeirinho” porque avança sobre áreas onde povos tradicionais denunciam expulsões, perseguições e violência.

O sentimento da cacica contrasta com a estratégia do governo federal. Em Brasília, Lula apresentou o plano Belém 4X, declaração internacional que propõe quadruplicar até 2035 o uso global de “combustíveis sustentáveis” em comparação com 2024. O documento defende a transição energética e a expansão acelerada dessas fontes em setores como transporte, aviação e indústria.

Enquanto o país se coloca como líder internacional da agenda, um relatório da Repórter Brasil mostra que as cadeias de etanol, biodiesel e SAF(combustível sustentável de aviação) estão associadas a desmatamento, conflitos fundiários e trabalho escravo. 

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No Vale do Acará, no nordeste do Pará, indígenas Tembé, quilombolas e ribeirinhos afirmam que áreas ligadas à BBF, empresa que produz biocombustíveis a partir do dendê na região, estariam associadas a destruição de roças e a episódios de violência contra comunidades locais.

É desse território que fala a cacica Miriam. Na quinta-feira (13), ela acompanhou da platéia a sessão do Tribunal dos Povos contra o Etnogenocídio e, em depoimento à Repórter Brasil, descreveu o que enxerga como expansão do dendê, expulsão de famílias, e criminalização do movimento que reúne indígenas, ribeirinhos e quilombolas.

A reportagem procurou a BBF para comentar as declarações da líder Tembé, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. O texto será atualizado se a reportagem receber manifestações da companhia. 

Além de produzir bi

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