DE BELÉM (PA) — O cacique Raoni Metuktire e outras lideranças indígenas da Amazônia criticaram nesta terça-feira (11) o apoio do presidente Lula à exploração de petróleo na Margem Equatorial, região litorânea que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, incluindo a foz do rio Amazonas.
“Estou sabendo que querem perfurar petróleo, eu sei que Lula está falando sobre isso, mas quero dizer que não podemos permitir que isso aconteça”, disse o líder indígena de mais de 90 anos, durante evento organizado pelo MPF (MInistério Público Federal) na Zona Verde da COP30, em Belém (PA).
O alerta fez coro protestos de outros indígenas do Pará e do Amapá presentes no encontro. “É triste ver o Lula defendendo isso em plena COP. O mundo não pode mais continuar com a exploração de petróleo”, disse Luene dos Santos Karipuna, coordenadora executiva da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará.
No final de outubro, o Ibama concedeu a licença de operação para a Petrobrás iniciar a perfuração exploratória de um poço na foz da bacia amazônica, com a finalidade de pesquisa petrolífera. A concessão gerou protestos de organizações ambientalistas e da sociedade civil. De acordo com a estatal, a perfuração está prevista para começar “imediatamente”.
“O Ibama autorizou o início das pesquisas sem ouvir os indígenas, nos apagando completamente do lugar onde vivemos”, lamenta Luene.
Na COP, o assunto segue pautando mesas paralelas e conversas nos corredores da Zona Verde, espaço aberto ao público. Os combustíveis fósseis (como petróleo, carvão e gás natural) são a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa, como o CO2, responsáveis pelo aquecimento global.
“O presidente Lula é o que mais demarcou terras indígenas, mas a gente se entristece com ele falando de mudanças climáticas e ele falando a favor da exploração de petróleo”, concorda Edmilson Karipuna, coordenador do Conselho de Caciques dos Povos Indígenas de Oiapoque, o CCPIO. “Vamos sempre dizer não à exploração de petróleo”, reforça.
Licença do Ibama à Petrobras causa impactos no Amapá, dizem organizações
Os indígenas já relatam impactos sobre seus territórios e no município de Oiapoque (AP), a partir da licença emitida pelo Ibama, como inchaço populacional, aumento da violência e invasão nos territórios indígenas.
“Ficamos preocupados com os impactos ambientais que podem ocorrer com a exploração, mas também nos preocupamos com os impactos sociais que j
