DE SALVADOR (BA) — Quilombolas que vivem no Recôncavo Baiano acusam o governo do estado de favorecer o avanço de atividades agropecuárias sobre territórios tradicionais ao mover ações judiciais de despejo contra moradores da região.
As denúncias foram apresentadas durante audiência pública realizada no fim de maio, em Salvador, organizada pelo MPF (Ministério Público Federal) e pelo MPBA (Ministério Público do Estado da Bahia).
Segundo dossiê entregue às autoridades, o governo estadual move desde 2009 dezenas de ações possessórias contra habitantes da comunidade Zumbi, no município de Maragogipe. A alegação é de que eles estariam instalados irregularmente em terras estaduais às margens da rodovia BA-420.
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Lideranças quilombolas sustentam, no entanto, que as áreas integram um território tradicional. Também afirmam que os processos judiciais ampliam a insegurança das famílias, enquanto os moradores aguardam a conclusão da regularização fundiária feita pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), do governo federal.
“Vão tirar a gente da nossa casa e nos colocar onde? Estamos falando do meu lugar de origem, da minha vivência. Acredito que a terra é de quem trabalha e não de quem chega e destrói a nossa nascente. Estou aqui para dar um grito de socorro junto ao meu povo”, discursou Candida da Hora Ribeiro, moradora da Zumbi.
Procurado pela Repórter Brasil, o governo da Bahia não respondeu aos questionamentos enviados.
Quilombolas reivindicam área explorada por grupo empresarial
Para os representantes da comunidade Zumbi, as ações judiciais movidas pelo governo estadual não podem ser analisadas separadamente da disputa fundiária envolvendo o Grupo Aliança da Bahia, conglomerado empresarial que mantém ao menos dez fazendas e cerca de oito mil cabeças de gado no estado.
As principais atividades exercidas pela companhia na reg
